
Programa Telecentro
Com a disseminação das redes de computadores e, principalmente, com o aparecimento da Internet, ficou claro o impacto social das chamadas Tecnologias da Informação e Comunicação, as TIC´s. Ao trabalhar e se comunicar por meio dessas redes as pessoas e as organizações transformam o modo como produzem, trocam e consomem bens materiais e imateriais. Abre-se para essas pessoas um enorme leque de oportunidades tanto de negócios, trabalho, educação, cultura, lazer, quanto relacionamento.
É fundamental para a concretização de conceitos como igualdade de oportunidades, cidadania, inclusão e justiça social e até mesmo a própria democracia (uma vez que um dos principais pilares da democracia é o livre acesso e produção da informação) o acesso contínuo às TIC´s, aliado ao domínio das habilidades para manejo crítico das informações recebidas. É flagrante a percepção (principalmente após a adoção da filosofia da globalização) que o sistema financeiro, empresarial e os próprios governos vêm transferindo suas operações, trocas e produção de conteúdos através de meios eletrônicos e estar apartado desses meios é estar distante dos principais centros de decisão da sociedade.
Não se trata apenas de realizar a inclusão digital como forma de fornecer acesso à tecnologia, aumentar o acesso ao mercado de trabalho ou contar com um grande numero de usuários. Devemos também perceber essa ferramenta como um facilitador para o desenvolvimento local, capaz de produzir solução para problemas da comunidade e também induzir o indivíduo ao pensamento crítico.
A utilização de termos como “exclusão digital” e a percepção da desigualdade gerada pela falta de acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação, principalmente nos últimos anos, se torna um assunto relativamente discutido, principalmente com a transferência de boa parte da vida cotidiana das pessoas para meios eletrônicos. Porém, é importante ressaltar que não é preocupante apenas a falta de acesso aos meios físicos de acesso, mas também a queda de diversas outras barreiras (lingüísticas, sociais, culturais ou cognitivas) existentes para a devida apropriação desse novo universo que detém suas próprias regras de funcionamento.
É nesse contexto e percebendo a heterogeneidade de uma cidade com mais de 10 milhões de habitantes como São Paulo, percebemos a importância de trabalhar em cada comunidade a realidade local, suas peculiaridades lingüísticas, sociais e culturais, partindo para uma ação que nos permita dar “um passo a mais” no caminho da inclusão social, pois esse passo não ocorre apenas com a mera reprodução de comandos e funções, mas com a possibilidade de transformar o ator local em protagonista da própria história, possibilitando a ele um entendimento que o permita produzir e trocar conteúdos diretamente relacionados à sua forma de ver o mundo. É esse formato critico da utilização das Tecnologias que podem de fato levar ao conhecimento, a afirmação de identidades locais, trocas culturais, conhecimento do outro e finalmente a uma avaliação mais assertiva da realidade local.
Nessa perspectiva, percebendo as particularidades de uma proposta de Inclusão Digital, foi implantado o Programa Telecentro pela Prefeitura Municipal de São Paulo com acesso livre aos serviços de informática, voltado à população que vive em situação de vulnerabilidade social. O IDORT é a instituição responsável por operacionalizar os Telecentros, sendo responsável pela gestão gerencial, alocando profissionais treinados e instruídos para o atendimento desta parcela da população.
O projeto dos Telecentros inicia-se com uma pesquisa sócio-geográfica, desenvolvida por uma equipe composta por estagiários de história, geografia e sociologia nas regiões de maior índice de vulnerabilidade social. Com o intuito de ampliar a comunicação e estreitar cada vez mais a relação entre Telecentros, aproximando-os da comunidade local, o IDORT realiza um diagnóstico social da região para conhecer a realidade das áreas do entorno dos Telecentros, coletando dados sociais e realizando pesquisas de campo, a fim de diagnosticar potencialidades e carências de cada região. A pesquisa é realizada através do levantamento de dados estatísticos disponibilizados por órgãos públicos e instituições idôneas visando uma compreensão das necessidades e dos problemas. É utilizado, também, o trabalho de campo ouvindo os moradores da região sobre seus principais desafios. Por meio do diagnóstico social é gerado o documento intitulado Mapeamento Social.
Diante desse estudo pormenorizado, a rede de Telecentros tem se expandido consideravelmente e cada vez mais oficinas e cursos são oferecidos para as comunidades, sempre gratuitamente, facilitando o acesso ao mercado de trabalho e proporcionando a inclusão social dos membros dessas comunidades.
Para mais informações sobre o Telecentro, acesse o site: www.telecentros.sp.gov.br onde consta o endereço e telefone de contato de todos as unidades, além da programação de cursos e oficinas.